O PANÓPTICO DE JUÍZO

NÃO ESQUEÇA O SENTIDO DAS PALAVRAS
Geórgia Nepomuceno
O dispositivo panóptico analisado por Michel Foucault tem como um dos pontos principais a atitude de vigiar sem ser visto. No século XVIII, caracterizado pela chamada Sociedade Disciplinar, percebe-se a utilização deste mecanismo de poder dentro das escolas, prisões, hospitais, fábricas.
Os resultados desta aplicação da ordem eram os corpos dotados de força de trabalho e, consideravelmente, incapazes de uma produção intelectual. Não havia oportunidade do conhecimento para aqueles que estavam inseridos nestas instituições.
No caso das prisões, a reabilitação possuia mais chances de se tornar algo concreto, porque as medidas aplicadas para tal eram exemplares. Os presos que sofriam as armadilhas do panóptico tinham a sensação de estarem sendo vigiados a todo o instante. O medo de ser pego andando fora da linha era capaz de transformá-los em seres disciplinados e aptos a voltarem para a sociedade.
No caso das instituições prisionais apresentadas no documentário JUÍZO, de Maria Augusta Ramos, a lógica do panoptismo se perde, uma vez que as autoridades de coersão se deixam ver.
O medo distribuído pelos funcionários do DEGASE aos infratores é direto e explícito. Naqueles espaços existe a certeza da vigilância. Logo, o discurso do mecanismo de poder também é modificado.
O panóptico de JUÍZO parece não existir na sua totalidade... voltamos à microfísica.
Veja fotos e mais informações em: http://www.juizoofilme.com.br/php/imprensa_clipping.php