quarta-feira, janeiro 17, 2007

FOI UM SHOW E TANTO
Mangueira e Portela cantam juntas no Circo Voador
Beth Carvalho e Teresa Cristina
GEÓRGIA DETOGNE
FOTO: MARCOS FABEK
Esse texto aqui pode desde já ganhar o título de "texto mais informal do Cirurgia Inédita do últimos tempos". Mas não existe nenhum tipo de problema quanto a isso. Para falar a verdade, considero a investida até muito interessante. Bom, mas vamos direto ao assunto. Teresa Cristina (super talentosa) e o Grupo Semente receberam Beth Carvalho no palco do Circo Voador, no dia 11/01. Eu e um considerável número de pessoas (muita gente mesmo!) estavamos lá para curtir o que foi uma das melhores noites de quinta-feira desta renomada casa de entretenimento. A própria Teresa se espantou com a quantidade de gente que havia no local. Foram te ver, menina! Ver você e a Beth soltando suas vozes lindas de morrer e de se escutar!
Convidei o Alvarega para me acompanhar e, claro, ele aceitou. Afinal, não existe Sequeladao de São Dom-Dom mais apaixonado por samba do que ele. E, isso já estava na cara, mas ressalto que o o repertório escolhido foi sensacional! Teresa cantou músicas dos seus 3 discos e ainda aproveitou para cantar "Cantar" (rs.. isso mesmo!), uma inédita do seu novo trabalho que será lançado este ano.
Fui para o show com a intenção de ouvir "1.800 Colinas". Cruzei os dedos em sinal de torcida antes mesmo de sair de casa. Beth subiu ao palco depois de uns 40 minutos do começo ao som da Mangueira. Puts! Tudo de bom! Você tinha que estar lá! E daí, para espanto da pessoa que aqui escreve, Teresa Cristina fez uma pausa e disse que gostaria muito de cantar uma música em especial com a convidada. Pensei eu: "Ah.. Legal!". Beth sorriu e as duas então inciaram: "Subiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii mais de 1800 coliiinaaaaaasssss. Não viiiiiiiiii, ai eu nao viiiiiiiii. Nnem a sombra de quem eu desejo encontrar..... Ó Deus eu preciso encontrar meu amor.. ôô .... pra matar a saudade que quer me matar.. Ó Deus!". Acredito que nessa hora eu tenha aberto o maior sorriso do mundo!
A platéia estava muito animada. Tinha gente sambando até dentro do banheiro! Muitos foram para o Circo vestidos de verde. Homenagem mais fofa não existe! Apesar de Teresa ser Portelense, tudo foi bastante democrático, afinal, é por isso que a madame* vive reclamando, né? rs.... O Arlindo Cruz também cantou. Os três juntos! Sensacional! O Grupo Semente foi impecável!
No público estava o Jean do BBB e, pasmem, ele é menor do que eu. Quem me conhece sabe o quanto é difícil existir no mundo alguém mais baixinho que a Ge. Tinha um ser humano muito parecido com a Rita Ribeiro conversando com ele. Acho que era ela sim...
Aproveito p/ mandar um bjo (já que o texto é informal) p/ quem passar por aqui! E não se esqueçam... foi um show e tanto! ;-)))
* "Pra quê discutir com madame?" (Haroldo Barbosa e Janet de Almeida, 1956)

segunda-feira, janeiro 15, 2007

FILÉ DE PEIXE



Alex Topini, Felipe Cataldo e Diego Tribuzy na esquina do Filé

POR GEÓRGIA DETOGNE

COLABORAÇÃO E FOTOS: FERNANDA ANTOUN


O Filé de Peixe é um evento que nasceu da criatividade de um grupo de amigos com uma imaginação fora do comum. Tudo começou em abril de 2006, no Bar Big Norte, localizado entre as esquinas das ruas Barão de Mesquita e Araújo Lima, na Tijuca. Em princípio, o público era convidado a participar de uma espécie de cineclube, com direito a sarau de poesia. Mas em pouquíssimo tempo, novas idéias surgiram e, dentre elas, estava o que ficou conhecido por "Película Epidérmica Pulsante", baseada na exibição de filmes antigos em super-8 (ou 16mm) e slides dos mais diversos, que são adquiridos em camelôs da Praça XV, da Glória e nas feiras de antiquários.O espaço também é utilizado para exibição de filmes de pequenas e médias produtoras, bem como de novos diretores independentes, como Pepa Filmes, Favela Filmes, Cabra Bom Filmes, Nós do Morro, Caseli, TV Zero, Nós do Cinema, Raça Filmes, Cinemaneiro, Peculiaridades, dentre outros.

Os idealizadores Alex Topini, Diego Tribuzy e Felipe Cataldo, juntamente com Fernanda Autoun, Cristina Miranda e Igor Cabral fazem do Filé de Peixe uma atração ímpar dentro e fora da cidade do Rio de Janeiro. O ambiente é altamente democrático e, muitas vezes, a platéia passa a vivenciar personagens com o microfone em punho. Todos têm espaço garantido para expressar sua arte, declamar seus poemas, falar bem e maldizer seus amores, enfim, fazer o que tiverem vontade. Além de contar com a presença dos poetas convidados que circulam em núcleos como Exprima-me, no Sesc-Tijuca, Rosas que Falam, no Centro Cultural Cartola (Mangueira), Ratos Di Versos (Lapa), CEP20000 , no Sérgio Porto (Humaitá), componentes do Conversa com Verso e Poesia Mix (Campo Grande).










Mesmo os mais tímidos acabam envolvidos pelo dinamismo da obra. A música fica por conta da banda Mysticow, responsável por fazer intervenções sonoras. No Filé de Peixe, tudo é absolutamente inédito. A cada edição a estrutura se renova, até mesmo os freqüentadores mais assíduos (aqueles que compareceram na maior parte de um total de 11 apresentações do evento) sabem que podem esperar uma noite de coisas nunca antes vistas. É como se fosse sempre a primeira vez, pois a cada poema, a cada imagem, a cada gesto, existe a sensibilidade de se preservar a pureza da criação.

Para quem já se cansou do velho jeito de assistir aos filmes exibidos na telona e anseia por novidades, o evento é mais do que uma boa opção. Pode acreditar! Essa turma faz cinema e, o que é mais interessante, ao vivo. Esse é o momento em que as diferentes formas de manifestações da arte deixam de se complementarem e passam a interagir. Vale a pena dar uma conferida.










Apesar da maioria das edições do Filé de Peixe ter acontecido no berço tijucano, no ano passado, os responsáveis pelo projeto receberam uma série de convites irrecusáveis. E fazendo justiça à semântica da palavra, todos foram aceitos.

- Em agosto, fomos para a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP). Em novembro, fomos convidados para um evento no casarão da UNEI em Santa Teresa, organizado por artistas da Chave Mestra (os mesmos que organizam o Santa Teresa de Portas Abertas), e também para nos apresentar no Circo Voador, num outro evento intitulado MOLA (Mostra Livre de Arte). E finalmente em dezembro, fomos convidados a nos apresentar em Miguel Pereira – disse Cataldo.


Para 2007, a previsão é de que no próximo mês o Filé de Peixe marque presença no Parque Lage, no Jardim Botânico.

16.01.07



sábado, janeiro 13, 2007


RIO DE JANEIRO INTENSIFICA COMBATE AO CARAMUJO AFRICANO

GEÓRGIA DETOGNE

Mais conhecido por caramujo africano, esta espécie responde pelo nome científico de Achatina fulica e foi introduzido no Brasil de forma ilegal, na década de 1980. Eles foram trazidos do leste e do nordeste africano direto para o estado do Paraná, devido à tentativa dos comerciantes locais substituírem o escargot (caramujo comestível e muito caro) por um outro tipo de caramujo. Dessa maneira, planejavam reduzir os custos da mercadoria e vender muito mais. Todavia, a tentativa de se conseguir mais dinheiro caiu por terra, pois em pouco tempo acabaram descobrindo que este não poderia ser utilizado na culinária. Atualmente, o caramujo africano não passa de uma praga agrícola que se espalhou por todo o país e que destrói lavouras inteiras num piscar de olhos, haja vista sua grande capacidade de reprodução.
O caramujo africano é o responsável pela transmissão da angiostrongilíase abdominal e da angiostrangilíase meningoencefálica que provocam morte por perfuração intestinal e distúrbios no sistema nervoso, respectivamente. Por isso, seus principais sintomas são dores na barriga, febre, enjôo, vômitos, diarréia e dores de cabeças.
A MELHOR ALTERNATIVA É A PREVENÇÃO
A Defesa Civil do município do Rio de Janeiro, desde 2005, vem intensificando os programas de prevenção. Esses são caracterizados pelos estandes montados por toda a cidade e pelas visitas dos agentes de saúde às residências, com o objetivo de orientar os moradores sobre como combater o caramujo, e os perigos causados por ele. Na primeira semana da campanha, que teve início no dia 8 de janeiro, os profissionais estiveram presentes nos bairros de Copacabana, Urca e Campo Grande, tirando dúvidas e distribuindo folhetos explicativos.
A populaçã está realmente preocupada com a proliferação dessa praga. Numa empresa particular, localizada em frente a Praça Cassilda Becker, na Urca, onde um estande foi montado no último dia 10, um número assustador de caramujos africanos podia ser visto espalhado pelo jardim. O jardineiro Delfino José dos Santos, 74 anos, relatou que, há cerca de mais ou menos um ano, o local está infestado e que já tentou de tudo para dar fim a essa situação.
No início nós enterrávamos vivos. Enchíamos latas. Depois a Comlurb teve aqui e mandaram colocar sal - contou.
A conscientização das pessoas é de grande valia para que o trabalho da Prefeitura continue a ter saldos positivos. Dona Ieda Chagas, 86 anos, estava em seu apartamento, em Botafogo, na Zona Sul da cidade, quando ficou sabendo que os agentes estariam trabalhando próximo à sua residência. A aposentada é dona de uma casa em Mangaratiba, uma região rica em área verde, que também sofre com o problema.
Está tudo infestado. De uns meses para cá tem aparecido muito. Eles comem as flores, as plantas e andam nas paredes. Eu mando recolher com sacos plásticos e queimar. Um dia desses juntaram sacos e mais sacos de supermercado - afirmou.
VOCÊ TAMBÉM PODE FAZER A SUA PARTE
As instruções de prevenção consistem basicamente em evitar o contato direto com o bicho, protegendo as mãos com luvas de borracha e sacos plásticos. Frutas e verduras devem ser sempre muito bem lavadas antes de ingeridas, pois a contaminação acontece por via oral. Para eliminar o caramujo basta atear fogo sobre ele, colocá-lo direto na água salgada, ou simplesmente jogar sal como fez o sr. Delfino. Nunca esquecendo de quebrar, ou senão enterrar as conchas (cascas) que restarão. É importante quebrá-las, pois estas servem de criadouros para outros tipos de vetores como, por exemplo, o Aedes aegipty, mosquito transmissor da dengue. Essa é uma doença muito perigosa e pode ter conseqüências fatais. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o total de casos de dengue até o momento é de 13.874, sendo que quatro pessoas morreram vítimas dela no ano passado e três em 2005.
ATÉ O MOMENTO O CARAMUJO AFRICANO NÃO FEZ VÍTIMAS
Ainda não existem registros de pessoas infectadas por essa espécie de caramujo no município do Rio. Até o fechamento dessa matéria, a Defesa civil havia recebido 97 solicitações para visitação em residências. O número passa a representar uma vitória nas estatísticas de combate ao vetor. Em 2005, ainda de acordo com Heloísa Florindo, 1980 telefonemas de cidadãos que estavam convivendo com o problema foram recebidos. Desde então, o percentual vem caindo. O verão é uma estação bastante propícia para o aparecimento do caramujo africano. Devido a grande quantidade de chuva e a sua sensibilidade ao sol, a umidade passa a ser um ponto a favor para que estes saiam de seus esconderijos e comecem a "passear". Por isso, Heloísa não recomenda o uso de pesticidas.
Os pesticidas são altamente tóxicos. Eles acabam morrendo em regiões não concentradas, ou seja, o produto químico usado pode acabar fazendo mal aos outros seres vivos, inclusive ao homem - alerta.
OUTRAS MANEIRAS DE ELIMINAR O CARAMUJO AFRICANO
Além de jogar sal em cima do caramujo e de atear fogo, as aves e as formigas também podem ser usadas como predadoras. Nas regiões de Itaguaí e Pedra de Guaratiba um dos dois outros modelos já vem sendo aplicado. A população faz uso de patos e galinhas para exterminar a praga. Isso não impossibilita que depois eles possam servir de alimento, porque ao serem preparados no fogo, o parasita transmissor das doenças acaba morrendo. No caso das formigas, basta pegar um caramujo africano e colocá-lo em cima de um formigueiro. A ação deve ser repetida em média por três dias consecutivos. O resultado obtido tende a ser uma mudança nos hábitos alimentares de todo o formigueiro, ou seja, as formigas passarão a comer os caramujos.
SAIBA COMO IDENTIFICAR UM CARAMUJO AFRICANO
Procure por ele em lugares úmidos e de pouca luminosidade. Verifique bem os cantos dos muros, as paredes e os locais em que possa haver acúmulo de galhos, restos de poda, folhas, madeiras, etc. Também são lugares muito propícios para o seu aparecimento os restos de construção, entulhos e, em especial, os tijolos furados. A concha (casca) do caramujo africano é, geralmente, de cor marrom-escuro, com listras esbranquiçadas desiguais, um pouco em zigue-zague. Para diferenciá-lo do escargot (caramujo comestível), continue prestando atenção na concha. A concha do escargot tem um formato em espiral circular, enquanto a do caramujo africano é em espiral cônica.
Para solicitar a visita dos agentes e esclarecer dúvidas, a população deve telefonar para o 2576-5665 (Defesa Civil do Município do Rio de Janeiro).