RIO DE JANEIRO INTENSIFICA COMBATE AO CARAMUJO AFRICANO
GEÓRGIA DETOGNE
Mais conhecido por caramujo africano, esta espécie responde pelo
nome científico de Achatina fulica e foi introduzido no Brasil de forma ilegal, na década de 1980. Eles foram trazidos do leste e do nordeste africano direto para o estado do Paraná, devido à tentativa dos comerciantes locais substituírem o escargot (caramujo comestível e muito caro) por um outro tipo de caramujo. Dessa maneira, planejavam reduzir os custos da mercadoria e vender muito mais. Todavia, a tentativa de se conseguir mais dinheiro caiu por terra, pois em pouco tempo acabaram descobrindo que este não poderia ser utilizado na culinária. Atualmente, o caramujo africano não passa de uma praga agrícola que se espalhou por todo o país e que destrói lavouras inteiras num piscar de olhos, haja vista sua grande capacidade de reprodução.
O caramujo africano é o responsável pela transmissão da angiostrongilíase abdominal e da angiostrangilíase meningoencefálica que provocam morte por perfuração intestinal e distúrbios no sistema nervoso, respectivamente. Por isso, seus principais sintomas são dores na barriga, febre, enjôo, vômitos, diarréia e dores de cabeças.
A MELHOR ALTERNATIVA É A PREVENÇÃO
A Defesa Civil do município do Rio de Janeiro, desde 2005, vem intensificando os programas de prevenção. Esses são caracterizados pelos estandes montados por toda a cidade e pelas visitas dos agentes de saúde às residências, com o objetivo de orientar os moradores sobre como combater o caramujo, e os perigos causados por ele. Na primeira semana da campanha, que teve início no dia 8 de janeiro, os profissionais estiveram presentes nos bairros de Copacabana, Urca e Campo Grande, tirando dúvidas e distribuindo folhetos explicativos.
A populaçã está realmente preocupada com a proliferação dessa praga. Numa empresa particular, localizada em frente a Praça Cassilda Becker, na Urca, onde um estande foi montado no último dia 10, um número assustador de caramujos africanos podia ser visto espalhado pelo jardim. O jardineiro Delfino José dos Santos, 74 anos, relatou que, há cerca de mais ou menos um ano, o local está infestado e que já tentou de tudo para dar fim a essa situação.
No início nós enterrávamos vivos. Enchíamos latas. Depois a Comlurb teve aqui e mandaram colocar sal - contou.
A conscientização das pessoas é de grande valia para que o trabalho da Prefeitura continue a ter saldos positivos. Dona Ieda Chagas, 86 anos, estava em seu apartamento, em Botafogo, na Zona Sul da cidade, quando ficou sabendo que os agentes estariam trabalhando próximo à sua residência. A aposentada é dona de uma casa em Mangaratiba, uma região rica em área verde, que também sofre com o problema.
Está tudo infestado. De uns meses para cá tem aparecido muito. Eles comem as flores, as plantas e andam nas paredes. Eu mando recolher com sacos plásticos e queimar. Um dia desses juntaram sacos e mais sacos de supermercado - afirmou.
VOCÊ TAMBÉM PODE FAZER A SUA PARTE
As instruções de prevenção consistem basicamente em evitar o contato direto com o bicho, protegendo as mãos com luvas de borracha e sacos plásticos. Frutas e verduras devem ser sempre muito bem lavadas antes de ingeridas, pois a contaminação acontece por via oral. Para eliminar o caramujo basta atear fogo sobre ele, colocá-lo direto na água salgada, ou simplesmente jogar sal como fez o sr. Delfino. Nunca esquecendo de quebrar, ou senão enterrar as conchas (cascas) que restarão. É importante quebrá-las, pois estas servem de criadouros para outros tipos de vetores como, por exemplo, o Aedes aegipty, mosquito transmissor da dengue. Essa é uma doença muito perigosa e pode ter conseqüências fatais. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o total de casos de dengue até o momento é de 13.874, sendo que quatro pessoas morreram vítimas dela no ano passado e três em 2005.
ATÉ O MOMENTO O CARAMUJO AFRICANO NÃO FEZ VÍTIMAS
Ainda não existem registros de pessoas infectadas por essa espécie de caramujo no município do Rio. Até o fechamento dessa matéria, a Defesa civil havia recebido 97 solicitações para visitação em residências. O número passa a representar uma vitória nas estatísticas de combate ao vetor. Em 2005, ainda de acordo com Heloísa Florindo, 1980 telefonemas de cidadãos que estavam convivendo com o problema foram recebidos. Desde então, o percentual vem caindo. O verão é uma estação bastante propícia para o aparecimento do caramujo africano. Devido a grande quantidade de chuva e a sua sensibilidade ao sol, a umidade passa a ser um ponto a favor para que estes saiam de seus esconderijos e comecem a "passear". Por isso, Heloísa não recomenda o uso de pesticidas.
Os pesticidas são altamente tóxicos. Eles acabam morrendo em regiões não concentradas, ou seja, o produto químico usado pode acabar fazendo mal aos outros seres vivos, inclusive ao homem - alerta.
OUTRAS MANEIRAS DE ELIMINAR O CARAMUJO AFRICANO
Além de jogar sal em cima do caramujo e de atear fogo, as aves e as formigas também podem ser usadas como predadoras. Nas regiões de Itaguaí e Pedra de Guaratiba um dos dois outros modelos já vem sendo aplicado. A população faz uso de patos e galinhas para exterminar a praga. Isso não impossibilita que depois eles possam servir de alimento, porque ao serem preparados no fogo, o parasita transmissor das doenças acaba morrendo. No caso das formigas, basta pegar um caramujo africano e colocá-lo em cima de um formigueiro. A ação deve ser repetida em média por três dias consecutivos. O resultado obtido tende a ser uma mudança nos hábitos alimentares de todo o formigueiro, ou seja, as formigas passarão a comer os caramujos.
SAIBA COMO IDENTIFICAR UM CARAMUJO AFRICANO
Procure por ele em lugares úmidos e de pouca luminosidade. Verifique bem os cantos dos muros, as paredes e os locais em que possa haver acúmulo de galhos, restos de poda, folhas, madeiras, etc. Também são lugares muito propícios para o seu aparecimento os restos de construção, entulhos e, em especial, os tijolos furados.
A concha (casca) do caramujo africano é, geralmente, de cor marrom-escuro, com listras esbranquiçadas desiguais, um pouco em zigue-zague. Para diferenciá-lo do escargot (caramujo comestível), continue prestando atenção na concha. A concha do escargot tem um formato em espiral circular, enquanto a do caramujo africano é em espiral cônica.
Para solicitar a visita dos agentes e esclarecer dúvidas, a população deve telefonar para o 2576-5665 (Defesa Civil do Município do Rio de Janeiro).