segunda-feira, janeiro 15, 2007

FILÉ DE PEIXE



Alex Topini, Felipe Cataldo e Diego Tribuzy na esquina do Filé

POR GEÓRGIA DETOGNE

COLABORAÇÃO E FOTOS: FERNANDA ANTOUN


O Filé de Peixe é um evento que nasceu da criatividade de um grupo de amigos com uma imaginação fora do comum. Tudo começou em abril de 2006, no Bar Big Norte, localizado entre as esquinas das ruas Barão de Mesquita e Araújo Lima, na Tijuca. Em princípio, o público era convidado a participar de uma espécie de cineclube, com direito a sarau de poesia. Mas em pouquíssimo tempo, novas idéias surgiram e, dentre elas, estava o que ficou conhecido por "Película Epidérmica Pulsante", baseada na exibição de filmes antigos em super-8 (ou 16mm) e slides dos mais diversos, que são adquiridos em camelôs da Praça XV, da Glória e nas feiras de antiquários.O espaço também é utilizado para exibição de filmes de pequenas e médias produtoras, bem como de novos diretores independentes, como Pepa Filmes, Favela Filmes, Cabra Bom Filmes, Nós do Morro, Caseli, TV Zero, Nós do Cinema, Raça Filmes, Cinemaneiro, Peculiaridades, dentre outros.

Os idealizadores Alex Topini, Diego Tribuzy e Felipe Cataldo, juntamente com Fernanda Autoun, Cristina Miranda e Igor Cabral fazem do Filé de Peixe uma atração ímpar dentro e fora da cidade do Rio de Janeiro. O ambiente é altamente democrático e, muitas vezes, a platéia passa a vivenciar personagens com o microfone em punho. Todos têm espaço garantido para expressar sua arte, declamar seus poemas, falar bem e maldizer seus amores, enfim, fazer o que tiverem vontade. Além de contar com a presença dos poetas convidados que circulam em núcleos como Exprima-me, no Sesc-Tijuca, Rosas que Falam, no Centro Cultural Cartola (Mangueira), Ratos Di Versos (Lapa), CEP20000 , no Sérgio Porto (Humaitá), componentes do Conversa com Verso e Poesia Mix (Campo Grande).










Mesmo os mais tímidos acabam envolvidos pelo dinamismo da obra. A música fica por conta da banda Mysticow, responsável por fazer intervenções sonoras. No Filé de Peixe, tudo é absolutamente inédito. A cada edição a estrutura se renova, até mesmo os freqüentadores mais assíduos (aqueles que compareceram na maior parte de um total de 11 apresentações do evento) sabem que podem esperar uma noite de coisas nunca antes vistas. É como se fosse sempre a primeira vez, pois a cada poema, a cada imagem, a cada gesto, existe a sensibilidade de se preservar a pureza da criação.

Para quem já se cansou do velho jeito de assistir aos filmes exibidos na telona e anseia por novidades, o evento é mais do que uma boa opção. Pode acreditar! Essa turma faz cinema e, o que é mais interessante, ao vivo. Esse é o momento em que as diferentes formas de manifestações da arte deixam de se complementarem e passam a interagir. Vale a pena dar uma conferida.










Apesar da maioria das edições do Filé de Peixe ter acontecido no berço tijucano, no ano passado, os responsáveis pelo projeto receberam uma série de convites irrecusáveis. E fazendo justiça à semântica da palavra, todos foram aceitos.

- Em agosto, fomos para a Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP). Em novembro, fomos convidados para um evento no casarão da UNEI em Santa Teresa, organizado por artistas da Chave Mestra (os mesmos que organizam o Santa Teresa de Portas Abertas), e também para nos apresentar no Circo Voador, num outro evento intitulado MOLA (Mostra Livre de Arte). E finalmente em dezembro, fomos convidados a nos apresentar em Miguel Pereira – disse Cataldo.


Para 2007, a previsão é de que no próximo mês o Filé de Peixe marque presença no Parque Lage, no Jardim Botânico.

16.01.07