quinta-feira, dezembro 14, 2006

Mais vale
um pássaro
na mão do que
dois voando?





Nesta quarta-feira, a senadora Heloísa Helena fez um discurso que comoveu alguns membros do Senado. Foi o momento de dizer adeus. Sai HH e entra Fernando Collor. Parece ironia do destino. O presidente do impeachment de 1993 irá ocupar o lugar da mulher que se rebelou contra a corrupção do Partido dos Trabalhadores (PT).

HH preferiu ficar de fora da sujeirada que corria (e corre) solta no mais alto escalão do governo. Na luta por justiça chegou a se candidatar ao cargo de Presidente da República, porém nem chegou a participar do 2º turno das eleições.

Mas a pergunta-título deste texto quer saber: - Será mesmo que a velha máxima de ter um único pássaro na mão do que ficar sem nenhum é mesmo a melhor opção em todos os casos? Ao invéns de se recandidatar ao Senado, HH preferiu subir alguns degraus. Não deu certo. Em poucos dias ela voltará a lecionar na Faculdade Federal de Alagoas, com uma carga de trabalho de 20 horas semanais, pois a fundadora do PSOL pretende continuar em atividade no que diz respeito aos assuntos da vida pública.
Bom, pelo menos a gente sabe o fim dessa história.
Logo, já que começamos com uma pergunta, eis a afirmação:
QUEM NÃO ARRISCA, NÃO PETISCA!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Síndrome de Down

Inclusão com responsabilidade



“A reabilitação em si é uma coisa muito mais responsável.
Deve-se trabalhar o potencial possível do indivíduo”.

Sandra Lobo
Pediatra e coordenadora do Programa
de Reabilitação da Secretaria municipal de Saúde





Geórgia Detogne


A Síndrome de Down é caracterizada por um atraso no desenvolvimento das funções motoras do corpo e das funções mentais. Um bebê portador desta síndrome apresenta nos primeiros dias de vida um quadro de hipotonia, que é um tipo de fraqueza muscular. Essa fraqueza faz com que a criança tenha dificuldades para se alimentar, pois engolir, sugar, sustentar a cabeça e os membros são práticas que exigem um esforço bem maior em comparação àquele que é feito pela criança não-portadora.

A principal causa deste tipo de síndrome é o excesso do material genético proveniente do cromossomo 21. Seus portadores apresentam três cromossomo 21, ao invés de dois, por isto a Síndrome de Down, que teve a sua primeira descrição clínica publicada em 1866 por Langdon Down, também é conhecida como Trissomia do 21. Trata-se de um acidente genético que foge ao controle da medicina e que ainda não tem cura.

Para que o recém-nascido portador da síndrome possa ter sua qualidade vida aumentada, quinze dias após o nascimento deve-se iniciar a aplicação dos programas de estimulação precoce que propiciem o desenvolvimento motor e intelectual. Esses programas contribuirão na diminuição gradativa da hipotonia do recém-nascido.

Mas antes mesmo do nascimento os pais do bebê têm a possibilidade de saber se o feto nascerá ou não sendo um portador de Down. O diagnóstico é feito por meio do cariótipo, que é a representação do conjunto de cromossomos de uma célula. Depois da décima primeira semana de vida intra-uterina o exame pode ser feito com a utilização de tecido fetal. Após o parto, o cariótipo passa a ser realizado a partir dos exames dos leucócitos obtidos de uma pequena amostra de sangue. Por este e por outros motivos, é importante que todos os recém-nascidos façam o Teste do Pezinho.

De acordo com a pediatra e coordenadora do Programa de Reabilitação da Secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro, dra. Sandra Lobo, o cariótipo serve apenas para preparar os pais para receberem uma criança que necessitará de
cuidados especiais durante toda a vida. Em se tratando da gestação, uma mulher com mais de 35 anos tem uma maior probabilidade de ter filhos portadores da Síndrome de Down. Nessa idade o risco é de 1 para 370, enquanto aos 20 ele diminui de 1 para 1600. Cabe frisar que esta é uma síndrome que ocorre em todas as raças e em ambos os sexos. Sendo que a taxa de abortos espontâneos varia de 65% a 80%.

Uma pessoa portadora da Síndrome de Down tem como características físicas um perfil achatado, orelhas pequenas, aumento da distância entre o primeiro e segundo artelho, olhos com as fendas das pálpebras oblíquas, língua protusa (para fora da boca), encurvamento dos quintos dígitos (dedos) e prega única nas palmas das mãos. Foi o formato dos olhos o responsável pelo surgimento de um outro nome atribuído à Síndrome de Down. Antes ela era também conhecida por “mongolismo”, devido às pregas nos cantos dos olhos que lembram pessoas da raça mongólica (amarela). Este termo caiu em desuso com o passar do tempo.

Para a especialista todo o trabalho desenvolvido com o portador de deficiência deve estar baseado no potencial possível de cada pessoa. Ainda na década de 1990, era comum encontrar portadores da Síndrome de Down misturados aos pacientes portadores de doenças mentais. A história da reabilitação no Brasil evoluiu bastante ao longo dos séculos. Na Antiguidade as crianças com qualquer espécie de deficiência eram abandonadas pelas famílias, com o passar dos anos a questão religiosa fez com que estas fossem protegidas, porém no fim do século XIX os hospitais psiquiátricos passaram a ser as principais instituições de abrigo. Esses modelos de internação serviram para afastar os portadores de Down do convívio com a sociedade.

Tinha um conceito de abandono no início, depois tinha um conceito de castigo imposto pela igreja que também segregava e, finalmente, começa o conceito de que o portador tem que ficar separado num lugar para depois voltar para a família – afirma a médica.

Por volta de 1993, um grupo de profissionais da rede municipal de saúde liderado pela dra Sandra Lobo iniciou um trabalho de desospitalização. Este trabalho se baseava em fazer com que os pacientes retornassem
às suas casas e, conseqüentemente, ao convívio familiar. Ele somente seria atendido na unidade de saúde para consultas e sessões de tratamento.

O número de pessoas com Down atendidas pelas unidades do município do Rio de Janeiro é considerado menor em relação ao de portadores atendidos pela APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). Mesmo assim, ambos desenvolvem trabalhos de máxima importância para a saúde e a qualidade de vida dos portadores.

As crianças com a Sindrome de Down sempre pertenceram muito à APAE. Nas nossas instituições você vê a criança portadora quando nasce em consultas no cardiologista, cuidando dos problemas respiratórios, mas no desenvolvimento não. Porque o Down tem um potencial elevado, apesar da deficiência mental – explica Lobo.

Desde 1954 as APAEs já são uma realidade no país. A primeira delas foi fundada no Rio de Janeiro e, atualmente, todos os estados do território nacional possuem sua própria Federação
* (das APAEs). A instituição tem como objetivo promover o desenvolvimento do portador da Síndrome de Down nos aspectos físico, mental, afetivo e social.

O governo também busca reforçar o desenvolvimento e a inclusão social. Para isso são desenvolvidos projetos como o “Programa Educação Inclusiva” e o “Educar na Diversidade”, criados pelo Ministério da Educação. Ambos tratam a educação inclusiva como sendo uma ação mais que necessária e, recentemente, serviram de tema de discussão no Fórum Internacional (sobre) Síndrome de Down, que foi realizado entre os dias 18 e 21 de outubro, em Campinas (SP).

Para a dra. Sandra a questão da inclusão social deve ser tratada com muita seriedade, pois não basta apenas fazer com que o portador de Down conviva com as demais crianças numa sala de aula, ou que todas as escolas estejam dispostas a matriculá-lo sem ter as mínimas condições para isso.

Há poucos dias acompanhamos a peregrinação da personagem Helena, interpretada pela atriz Regina Duarte, na novela “Páginas da Vida”, em busca de uma escola que aceitasse sua filha adotiva portadora da Síndrome de Down. Expor esse tipo de situação na mídia é algo bastante favorável, porque leva as pessoas a refletirem sobre o assunto e até mesmo faz com que o preconceito seja reduzido. Porém, alguns outros pontos devem ser lembrados. A inclusão antes de
mais nada deve ser responsável.

Se a criança portadora da síndrome de Down for muito diferente, se ela não puder acompanhar essa turma, ela vai ficar muito mais excluída. Eu sou a favor e luto pela inclusão o tempo todo, mas por uma inclusão que significa pertencimento. Eu luto por uma inclusão responsável. A escola tem que ser inclusiva, mas repito, essa inclusão tem que ser responsável. A forma como trabalham na novela me incomoda um pouco, não pela inclusão, pois eu acho que ela tem que ser divulgada. Porém, deve ser bem explicada – conclui a médica especialista.

-------------------

* A Federação, a exemplo de uma APAE, se caracteriza por ser uma sociedade civil, filantrópica, de caráter cultural, assistencial e educacional com duração indeterminada, congregando como filiadas as APAEs e outras entidades congêneres, tendo sede e fórum em Brasília –DF.

FOTOS: Richard Bailey.

A exibição Shifting Perspectives (Mudando Perspectivas), em cartaz em Londres, foi organizada pelo fotógrafo Richard Bailey. Bailey tem uma filha com Síndrome de Down e resolveu preparar fotos de crianças com o problema com o objetivo de amenizar o estigma que envolve a doença. Na primeira foto, 365 crianças foram fotografadas para "mostrar que cada uma é diferente".

domingo, dezembro 03, 2006

Um ano depois...
Em novembro de 2005, após uma breve pesquisa sobre o jornalista Samuel Wainer, escrevi o texto que segue abaixo. Achei que seria interessante postá-lo novamente, pois o classifico como sendo uma das histórias mais curiosas que já tomei conhecimento.
Para aqueles que também quiserem conferir a entrevista com a jornalista Joëlle Rouchou, basta acessar a pasta deste blog referente ao mês de março. Joëlle me contou um pouco a respeito do livro que escreveu sobre Wainer e algumas outras coisas.
Então, desde já, gostaria de dizer que mais uma vez será um prazer compartilhar com todos o material coletado para a realização deste trabalho.
Um abraço,




50 anos da absolvição de Samuel Wainer
por Geórgia Detogne


" O jornalista não é um criador de fatos, ele é um transmissor
e precisa saber ver. E saber ver é só vivendo."

S.Wainer


No dia 23 de novembro de 1955, o jornalista Samuel Wainer vivia o que para ele foi um dos dias mais emocionantes de sua vida. Em outubro, fora condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a um ano de prisão pelo crime de falsidade ideológica. No mês seguinte, Wainer estava livre e deixava o único quarto para presos especiais que existia no Hospital da Polícia Militar, na rua Frei Caneca.

A morte de Getúlio Vargas, em agosto de 1954, serviu para que seus inimigos finalmente pudessem se concentrar em uma única missão: destruir Samuel Wainer. Era um ótimo momento para acabar com o Última Hora, jornal criado por ele, que se diferenciava dos demais periódicos por ser o único a apoiar o governo da época e, que além de se dirigir àqueles que faziam parte da elite, também estava intensamente voltado para as camadas populares. Por meio dele, os leitores acompanhavam o que acontecia na Era Vargas de 1951 a 1954. No Palácio do Catete, o jornalista Luis Costa estava atento a tudo que se passava e as informações colhidas eram publicadas na coluna intitulada “O Dia do Presidente”, que existiu na página 3, desde o surgimento do jornal até o suicídio de Getúlio.

Assis Chateaubriand (dono dos Diários Associados e ex-patrão de Samuel Wainer) e Carlos Lacerda (dono da Tribuna da Imprensa) foram os principais acusadores na Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada inicialmente para investigar a origem do dinheiro utilizado na montagem do Última Hora e que teve na questão da nacionalidade de Wainer um de seus pontos mais importantes. Chatô era o patrão abandonado pelo grande repórter que deu aos seus dois jornais, Diário da Noite e O Jornal, uma vendagem de 180.000 exemplares cada, com a matéria que anunciava o retorno de Vargas ao poder.

Tudo começou quando Samuel Wainer fora mandado ao Rio Grande do Sul, em fevereiro de 1950, para fazer uma reportagem sobre a plantação de trigo na região, quando viu que sobrevoava a fazenda onde se encontrava Getúlio Vargas, imediatamente deu ordens ao piloto para aterrissar. O resultado de tal ousadia foi a entrevista que mais tarde ficaria famosa por noticiar em primeira mão o retorno do ex- ditador, que desta vez estava disposto a voltar ao comando do país como líder das massas. Neste instante começava a ser escrita a história sobre um jornalista que sonhava em ser dono de jornal e de um presidente do Brasil que o ajudou a realizar esse sonho.

Invejas, vaidades, ciúmes, ódios e outros tipos de sentimentos similares também começavam a aparecer. Lacerda era um ex-amigo que tinha se rebelado, que deixava dona Dora, mãe de Samuel, apavorada e aos prantos por não entender o que levava o “rapaz bonzinho” que freqüentava a casa dos Wainer, a odiar tanto seu filho. Além dos desafetos que nutriam pelo fundador do Última Hora, Chateaubriand e Carlos Lacerda também eram ferozes opositores de Vargas.

Na autobiografia, que leva o título de “Minha Razão de Viver – memórias de um repórter”, publicada pela primeira vez em 1987, Wainer se descreve como sendo “um judeu do Bom Retiro, sentado à mesa com os donos de jornais”. Esses mesmos donos antigetulistas desejavam vê-lo longe das salas de reunião, dos outros ambientes sociais e, principalmente, fora dos meios de comunicação. O plano era destruir o Última Hora sob o pretexto de que este era uma ameaça para imprensa brasileira, logo, destruir seu proprietário, porque Samuel e seu jornal eram um só. A segunda tarefa era a de aniquilar Vargas.


Entretanto, por ironia do destino, o presidente tratou de dar fim à sua vida. E o velho clichê foi consumado: o feitiço virou-se contra o feiticeiro. A idéia de uma CPI partiu do próprio jornalista e teve o apoio de Getúlio. Ambos acreditavam que por meio dessa comissão a trajetória do Última Hora poderia ser investigada, dando fim às denúncias de favorecimento ilícito advindos do Banco do Brasil.

Wainer contava com os votos da maioria governista do Legislativo para derrotar aqueles que representavam a União Democrática Nacional (UDN), ligados a Lacerda. Porém esta maioria o acabou traindo e demonstrando qual era o grau de prestígio que Vargas tinha naquele momento. Além do mais, o jornalista dispensou advogados na primeira fase das investigações e como ele mesmo conta, talvez se não tivesse feito isso “escaparia dos dissabores provocados por escorregões decorrentes da falta de experiência jurídica”. Em outra etapa, no ano de 1955, evitou o erro que cometera no passado e foi defendido por um grupo de profissionais devidamente habilitados, dentre eles estava o jurista Evandro Lins e Silva (o mesmo que defendeu mais de 2.000 presos políticos no Estado Novo e redigiu o pedido de impeachment de Fernando Collor). Todos, incluindo Wainer, tentavam provar que a matéria publicada no dia 12 de julho de 1953, pelo Diário de São Paulo, um dos jornais de Chateaubriand, era falsa.
Os Diários Associados e os demais inimigos do Última Hora estavam dispostos a confirmar de todas as formas que o “amigo do Homem” (como era também chamado Samuel Wainer devido à sua amizade com Vargas) não havia nascido no Brasil. E o que isso tem demais? Acontece que na década 50 e ainda hoje, de acordo com a Constituição Federal, somente um brasileiro nato ou naturalizado há mais de 10 anos pode ser dono de empresa jornalística. E por isso, Chatô e Lacerda, que não encontravam mais argumentos para colocar Samuel Wainer na cadeia sob a acusação de favorecimento oficial, não pouparam esforços para encontrar dados que comprovassem que ele havia nascido numa aldeia chamada Edenitz, na Bessarábia. Do outro lado, se defendendo da maneira que podia, estava o réu, afirmando que nascera no pacato bairro do Bom Retiro, em São Paulo.
Os algozes de Wainer se apoiavam num documento encontrado nos arquivos do Ministério da Educação, cujo conteúdo informava que ele chegara ao Brasil com 2 anos de idade. Em cada rebatida, Carlos Lacerda e Assis Chateaubriand não se intimidavam, pelo contrário, pareciam cada vez mais fortes para alcançar o objeto que tinham em comum. Em suas investidas mandaram repórteres ao bairro paulistano e tentaram achar papéis que comprovassem o embarque da família Wainer no porto de Gênova, com destino para América do Sul.
Ainda em sua defesa, Wainer teve amigos que se ofereceram para depor, alegando que haviam assistido sua circuncisão (que acontece no 7º dia de vida), o que provaria que ele de fato nascera aqui. Segundo Nelson Rodrigues, que escrevia “A vida como ela é...”. - uma das colunas do Última Hora -, “pode-se pendurar um sujeito numa forca, ou crivá-lo de balas, ou beber-lhe o sangue como groselha. Mas ninguém tem o direito de fazer o que a Comissão Parlamentar de Inquérito fez com Samuel Wainer”.

Realmente os passos dos inimigos caminhavam pouco macios sobre ele que, mesmo antes da morte de Getúlio, lutava praticamente sozinho. Porém, como mostra a história, em momento algum pensou em se entregar ao “Corvo” (nome com o qual apelidou Carlos Lacerda) e aos outros tantos que queriam vê-lo derrotado. Mesmo com todos os esforços para provar sua inocência, em outubro de 1955, Wainer estava sendo condenado pelo crime de falsidade ideológica, já que a dívida com o Banco do Brasil havia sido quitada e nada quanto a esse assunto ficou provado. Na cela do Regimento Caetano Farias, para onde fora mandado, se encontravam presos bastante interessantes: “dois advogados condenados por chantagem, um químico industrial que tinha matado a esposa adúltera, um médico mineiro de origem árabe que assassinou a mulher por suspeitar que está teria tentado prostituir a filha e um tenente do Exército preso por estelionato”, todos aparentemente simpáticos a Lacerda, como narra na autobiografia.


Apesar de estar extremamente mal acompanhado, os motivos que o levaram a solicitar uma transferência foram os rumores de um golpe articulado pelos militares “lacerdistas”, contra o então mais novo presidente da República, Juscelino Kubitschek. Graças à ajuda do médico Noel Nutels, que participou do grupo da revista Diretrizes, conseguiram transferi-lo para o Hospital da Polícia Militar.
Há exatos 50 anos, Samuel Wainer e sua esposa Danuza Leão acompanhavam por telefone as informações sobre o julgamento, no Supremo Tribunal Federal, do recurso que pedia sua absolvição. Finalmente, neste 23 de novembro de 1955, Wainer fora absolvido por unanimidade, pois o STF não se interessava em saber onde o dono de um dos jornais mais importantes do Brasil havia nascido.

Entretanto, não seria numa CPI e muito menos em páginas de jornais que desejavam ver o nome de Samuel Wainer na lama, que a informação quanto ao seu verdadeiro local de nascimento encontraria a seriedade que esse assunto passou a merecer. Na Escola de Comunicação da UFRJ (ECO/UFRJ), em 1996, uma dissertação de mestrado com o título de “Samuel. Duas vozes de Wainer” estava sendo defendida pela jornalista Joëlle Rouchou. Sob orientação da professora Heloísa Buarque de Hollanda, durante todo o trabalho, Joëlle se dedicou a compreender a identidade judaica e jornalística de Wainer. Para isso desenvolveu uma extensa pesquisa em busca de informações pouco discutidas e algumas até inéditas, tanto no conteúdo como na abordagem. Além das 1.300 páginas resultantes das transcrições das 53 fitas deixadas por Samuel Wainer - as mesmas que também serviram de material para Augusto Nunes em “Minha Razão de Viver”, - a jornalista que trabalhou no Jornal do Brasil (1978-1985) e na revista Veja (1985-1987), entrevistou parentes, amigos e ex-colaboradores. A tese foi transformada em livro em 2004, pela UniverCidade Editora, e é a primeira publicação a divulgar que Wainer realmente era bessarabiano. Nesta entrevista Rouchou fala um pouco sobre o livro e das razões que a levaram a escrever sobre o assunto.