sexta-feira, janeiro 09, 2009




GAZA - aqui tem água
O pedaço de terra mais cobiçado dos últimos tempos


Geórgia Detogne


O que mais me impressiona no conflito israelo-palestino, com terríveis bombardeios na Faixa de Gaza, é o fato das pessoas desejarem saber o que exatamente está acontecendo. Venho acompanhando o episódio por meio das mídias virtuais e, ontem, ao ler a página da Folha de São Paulo, me surpreendi. Os brasileiros perguntavam enfaticamete: "Quando foi que tudo começou???" e "Qual é o motivo dessa guerra??". As respostas eram pouco assertivas, porém convenciam.

É bem possível que toda esta desavença tenha começado no século XIX. Agora, o que motivou árabes e judeus a se confrotarem dessa maneira? Aparentemente, pode ser uma questão cultural, talvez econômica e/ou religiosa. Ainda não foi encontrada uma pessoa que consiga optar por apenas um dos fatores. É provável que nenhum dos lados saiba ao certo o porquê do que está se passando. São orgulhos feridos que cegam os indivíduos.

Nos jornais, encontramos informações e nomes que se repetem: Israel, Palestina, Hamas, Fatah, ONU, Cruz Vermelha, Primeira e Segunda Intifada, Guerra dos Seis Dias, Estados Unidos, Obama, Jerusalém, Cisjordânia, Egito etc.

Ainda segundo a editoria Mundo, da Folha, os 14 dias de calamidade já resultaram na morte de 257 crianças. O total de paletinos mortos chega a 760. Em se tratando de soldados israelenses, o número cai para 10 mortes. Por isso, também, a comunidade internacional chama de desproporcional os ataques entre os dois povos.

A Organização das Nações Unidas anunciou a retirada de seus integrantes da Faixa de Gaza, mas hoje voltou atrás e pretende continuar a socorrer os necessitados. O cessar-fogo com o intuito de facilitar a ajuda humanitária vem sendo cumprido por ambos os lados. Só o fato de Israel anular os bombardeios por um período já é algo positivo.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) e o governo de Israel tiveram as relações interrompidas pelo Hamas. Logo, a conversa entre os descontentes se torna cada vez mais difícil. As negociações ficam restritas a este grupo armado (considerado terrorista) e o premiê israelense, Ehud Olmert.


Muitos culpam o nazismo pelo que está acontecendo neste momento. Outros, os próprios judeus, pela ocupação de terras habitadas por palestinos. Existe ainda o grupo que culpa os árabes por não respeitarem as decisões de 1993, tomadas em Oslo*.

O importante, na verdade, é evitar a morte de mais inocentes. Dar nome aos bois é uma tarefa que pode esperar.
* Os Acordos de Oslo (1993 e 95) criaram a ANP e transferiram parte da responsabilidade pela administração de certos trechos dos TPO para a nova entidade.