sábado, outubro 07, 2006

SOUZA AGUIAR e MIGUEL COUTO



Na maioria das vezes que nós, moradores do Rio de Janeiro e redondezas, escutamos esses dois nomes o que imaginamos? Dois prédios grandes? Bom, existe uma enorme probabilidade.
Um deles está localizado bem no centro da cidade, ao lado do Campo de Santana e, o outro, na zona sul, mais precisamente no bairro da Leblon.
Todavia, antes de terem servido para batizar hospitais da rede municipal, esses nomes já faziam referência a dois importantes homens da sociedade carioca.

O general Francisco Marcelino de Sousa Aguiar foi nomeado prefeito do Rio de Janeiro em novembro de 1906, pelo presidente Afonso Pena. Ao longo do seu governo procurou dar continuidade às obras da administração anterior e regularizar a situação financeira da prefeitura. Seu trabalho estava baseado em oferecer um serviço de assistência pública mais eficiente a toda população. Foi ele quem construiu o Posto de Assistência da Praça da República, que anos mais tarde veio a se tornar o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Além de ter sido prefeito até 1909, o general foi membro de uma Comissão Brasileira que representou nosso país em Chicago, foi comandante do Corpo de Bombeiros do Rio, delimitou nossas fronteiras com o Uruguai e, devido sua formação acadêmica em engenharia, trabalhou no projeto do prédio do Hospital Central do Exército (HCE). Foi ele também o responsável pela construção da Biblioteca Nacional, do Palácio Monroe (que foi demolido em 1976), do Palácio da Prefeitura, do Teatro Municipal e de demais patrimônios de reconhecida importância.

Pelo projeto do polêmico Monroe, Souza Aguiar recebeu o 1º Prêmio de arquitetura da exposição Internacional de Saint-Louis, nos Estados Unidos , em 1904.

Miguel de Oliveira Couto, por sua vez, foi um importante médico neurologista formado pela Academia Imperial de Medicina, em 1883. Durante sua trajetória profissional foi assistente da cadeira de Clínica Médica até doutorar-se no ano de 1885. Foi membro titular da Academia Nacional de Medicina, da qual chegou a ser duas vezes presidente.

Sendo pesquisador no setor da saúde pública, Miguel Couto deixou uma extensa obra nessa área. Como reconhecimento pelo brilhante trabalho desenvolvido, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). No campo da política destacou-se como deputado na Constituinte de 1934.

Enquanto Presidente Honorário da Associação Brasileira de Educação foi o responsável pela criação de um dos lemas da ABE (naquela época), que na verdade, era o título da conferência que proferiu no dia da cerimônia de posse: "No Brasil só há um problema: a educação do povo".

Entre seus legados está a considerável contribuição para o estudo das desordens funcionais do pneumogástrico na influenza, da gangrena gasosa fulminante, do diagnóstico precoce da febre amarela pelo exame espectroscópico da urina e as diversas lições de clínica médica.
Em 1935, ainda em construção, o hospital que seria chamado de Hospital Periférico Regional da Gávea, foi batizado de Hospital Gastão Guimarães, em homenagem ao secretário de Saúde da gestão Pedro Ernesto. Mas depois que o então presidente da República, Getúlio Vargas, demitiu o prefeito e colocou no cargo o cônego Olímpio de Melo, mudanças foram realizadas. Quatro dias antes da inauguração que aconteceu em 25 de outubro de 1936, o hospital mudou de nome para Hospital Municipal Miguel Couto.
Além de todo o registro político e acadêmico, esses dois nomes são sempre lembrados mesmo por quem não faz idéia alguma de toda ou até mesmo de parte da história, pois, por exemplo, quando há tiroteio nas favelas da Rocinha e do Vidigal, as vítimas acabam sendo socorridas no Miguel. E, em se tratando da maior emergência da América Latina, o Souza, é o responsável pelo, também, maior número de atendimento de todo o tipo e espécie.
Na hora do aperto e, antes e depois dele, para algumas pessoas nomes são apenas nomes.
O que é uma pena!